Alternativas de monetização dos blogs – Vida inteligente pós-Adsense

O Pelejando tem a honra de apresentar, a convite do Wagner Fontoura – do Boombust – a quinta rodada da série “Blogosfera Brasileira em Debate“. O tema de hoje são as “Alternativas de monetização dos blogs – Vida inteligente pós-Adsense”; será colocado na roda pelos blogueiros Alexandre Inagaki, Cris Zimermann e Fábio Seixas, e terá um plus nos comentários do blogueiro Rafael Reinehr – nosso Rebatedor convidado. Então vamos ao que interessa…

Rafel Reinehr: “Quando fui convidado pelo Wagner para ser o rebatedor das perguntas e respostas talhadas pelos blogueiros Alexandre Inagaki, Cris Zimermann e Fábio Seixas, fiquei confuso.Alternativas de monetização dos blogs – Vida inteligente pós-Adsense. O que poderia eu, blogueiro sabidamente não-profissional comentar acerca desses temas? Resolvi perguntar ao Wagner. A resposta: imaginei alguém que pudesse trazer uma visão “holística” ao tema. Pois bem. Quanto ao adjetivo para caracterizar minhas críticas e análises, deixo para o leitor cunhar; vamos ao que interessa: as ótimas perguntas e respostas dessa mesa-redonda.”

Rafael Reinehr

Perguntas do Alexandre Inagaki

1) Por que blogs, canais que atingem nichos específicos, possuem leitores fiéis e uma proximidade muito maior do que qualquer outro site, ainda não são procurados por grandes anunciantes, enquanto portais como o UOL cobram até R$ 225,00 por CPM?Resposta de

Cris Zimermann: O fator marketing é um deles. O marketing dos blogs é ruim. Estamos errando o foco. Ficamos muito tempo no mundo virtual, esquecendo-nos dos contatos offline. É assim que os grandes portais fazem dinheiro. Eles têm seus departamentos, com seus RPs indo e vindo e fechando contratos por metas ou rua. Depende do quanto você quer investir pra decolar seu blog, do capital de giro que está disposto a despender. Se continuar pensando no ‘grátis’, não pode exigir a qualidade. Por isso abordei a questão do ‘você está disposto a cobrar caro?’ (ver abaixo)

Resposta de Fábio Seixas: Acredito que os blogs ainda não acharam seu caminho no mercado publicitário pois são muito fragmentados. Em contra-partida, grandes portais se esforçam para concentrar conteúdo através de parcerias e centralizar a venda de publicidade, o que, convenhamos, facilita muito a vida das agências e anunciantes.Comentário de

Rafael Reinehr: O “niche blogging” ou a “blogagem de nicho” é uma tendência que está chegando de forma gradual mas provavelmente é a forma que mais agrada aos anunciantes. Afinal de contas eles vendem um produto específico e acreditam que anunciar para um público de um blog com conteúdo afim trará um retorno maior. Como exemplo prático: se um médico quiser deixar folders divulgando sua clínica, onde ele o fará? Em farmácias, outros consultórios médicos, laboratórios de análises clínicas ou em livrarias, casas noturnas e revendas de carros? Onde os folders terão maior chance de encontrar interessados em saúde e doença? A idéia de vendedores e contatos offline não pode ser desprezada, mas é algo para quem deseja alçar altos vôos. Outro aspecto a ressaltar é que os blogs necessitam sair da atitude passiva de aguardar por anunciantes e passar à atitude ativa: ir atrás dos mesmos, caso queiram realmente levar a sério a blogagem profissional. Faça seu media kit e apresente a possíveis anunciantes. Seu blog só tem 100 acessos por dia e não é dos de maior credibilidade? Trabalhe duro produzindo bom conteúdo, amplie sua networking e seja paciente. O momento certo chegará. Não esqueça da diversão pelo caminho!

2) O que falta para blogs darem esse pulo do gato e deixarem de ser o patinho feio da publicidade online, destinado a pegar apenas as rebarbas das verbas de marketing viral?

Resposta de Cris Zimermann: Falta elegermos um representante. No mais, uma pergunta/resposta complementa a outra.

Resposta de Fábio Seixas: Não acho que os blogs são vistos como patinhos feios. Acho que o mercado publicitário até os vê como uma boa opção, mas a fragmentação inviabiliza ou dificulta enormemente a execução e controle de campanhas em blogs.Comentário de

Rafael Reinehr: Alguns passos estão sendo dados, como a criação de fortes comunidades de blogueiros, networkings como o Via6, empresas para disseminação online de marketing viral como a Riot e, é claro, o trabalho de alguns blogueiros individuais pioneiros, que ajudarão quem vier depois com seu exemplo. O pulo do gato se daria quando um blogueiro
fosse responsável pelo aumento significativo das vendas de uma empresa tradicional graças a uma campanha veiculada em seu blog. Até que isso aconteça, precisamos seguir a passos de gato, cautelosamente. Uma agência que intermediasse anúncios e anunciantes – que pelo cheiro já está sendo criada – também ajudará.

Perguntas da Cris Zimermann

1. Em sua opinião, o que é ser problogger? Você é problogger, gostaria de ser, conhece algum brasileiro(a) que realmente seja problogger? Problogger é falta de oportunidade para quem não tem profissão definida?

Resposta de

Fábio Seixas: É ter como objetivo obter seu sustento da receita proveniente de blogs. Não sou, não pretendo ser e conheço quem diz ser. Problogger é mais uma oportunidade profissional, para quem tem ou não tem algo definido. O fato de ter uma profissão não extingue a oportunidade de ganhar dinheiro com blogs.

Resposta de Alexandre Inagaki: Problogger é um blogueiro que ganha dinheiro com seu blog, mas não necessariamente por intermédio de Google Adsense, Submarino ou Mercado Livre. Eu ganhei dinheiro conseguindo free-lancers em minha área (Jornalismo), através de contatos que angariei junto a revistas e jornais por intermédio do meu blog, que se tornou um portfolio online de minhas atividades. O Marco Aurélio (http://www.jesusmechicoteia.com.br), conseguiu seu emprego atual graças a um leitor do seu blog. O Cris Dias tem em seu blog o principal meio de tornar visível as atividades da Vilago, sua empresa de hospedagem de sites. A Bia Kunze obteve o patrocínio de uma grande operadora de celulares e tornou-se colunista de uma rádio graças ao Garota Sem Fio. A Juliana Sampaio e a Laura Guimarães, do Mothern, criaram um blog que se tornou livro e seriado de TV. Blogs patrocinados por marcas, como o Imagine Mp3 da Samsung (http://www.mp3samsung.com.br/blog), contrataram blogueiros conhecidos como Phelipe Cruz e Bruno Natal para a redação de seus posts. Ou seja, há maneiras e maneiras de se tornar um “problogger”, pois, não necessariamente por conta de remunerações oriundas de programas de afiliados. Um blog é uma ferramenta, como tantas outras, de expor aptidões profissionais e fazer networking. Creio, pois, que falar em “falta de oportunidade” é algo que expressa uma visão totalmente ultrapassada. O bom profissional é aquele que vislumbra possibilidades, não necessariamente na área em que se formou. Qualquer pessoa minimamente qualificada tem a capacidade de criar as suas próprias oportunidades e ser um empreendedor, seja ela um vendedor de cachorro-quente, um executivo formado em Harvard ou um blogueiro.Comentário de

Rafael Reinehr: A resposta do Alexandre me foi bastante satisfatória. Ser problogger é uma escolha que pode ser feita em diferentes níveis. Há quem considere problogger somente quem vive totalmente do seu(s) blog(s). Esses são ainda raros no país, mas aumentam cada vez mais nos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália. Pessoalmente não considero probloggers aqueles que simplesmente colocam alguns anúncios do Adsense, Submarino, Livraria Cultura ou outros sistemas de parcerias para “ver quanto podem ganhar”. Esses são os legítimos “amadorbloggers”: nem sempre possuem um foco definido e, se não se contentarem com as migalhas que receberão, acabarão frustrados no fim da linha. Há espaço para todos mas, sem dúvida alguma, somente alguns sobressairão dentro de cada nicho escolhido.

2. O Adsense é relativamente fácil de conseguir. A inscrição é de graça, todo mundo sabe como usar a ferramenta. É por isso que é tão usado e divulgado no Brasil, enquanto no exterior não é nem nunca foi a melhor forma de remuneração de um blog?

Resposta de

Fábio Seixas: Essa questão de intermediadores de publicidade (google ou qualquer outra rede) está ligada a inventário de espaço publicitário e aquisição de clientes. O Adsense funciona no Brasil pois existe inventário disponível e anunciantes. Acredito que não existem outras rede de sucesso no Brasil por falta de anunciante que prefere apostar nas mídias conhecidas.

Resposta de Alexandre Inagaki: O problema é que a Internet no Brasil ainda é muito incipiente. Não se popularizou. Além disso, escrevemos em um idioma que é praticamente um dialeto. Segundo o Technorati, apenas 2% de todos os blogs criados no mundo são em português. Resultado de tudo isso: as possibilidades de monetarização de blogs no Brasil são muito limitadas. Não temos audiência caudalosa, a ponto de despertar a atenção do mercado publicitário. E há um outro problema aí: não há união entre os blogueiros brasileiros. Existem várias iniciativas individuais bem-sucedidas, mas poucas redes de blogs como as americanas Weblogs.Inc e Gawker ou a mexicana Hipertextual, ou uma agência que faça a intermediação entre blogueiros e anunciantes, como a Blogads. Exércitos de um homem só terão o triplo de trabalho para se fazerem conhecer por agências de publicidade.Comentário de

Rafael Reinehr: O Adsense funciona bem onde existem anunciantes dispostos a investir na idéia, onde a cultura locar de anúncios baratos e impressos em quantidade é vista como algo positivo. Todos sabemos, e isso explica em parte também a pergunta do Inagaki sobre o porquê do UOL ser capaz de cobrar os valores que pratica: quantidade. A impressão do anunciante de que quantas mais vezes seu anúncio for clicado maiores serão as vendas existe e é difícil de reverter. Trazendo novamente a analogia para o mundo médico, os pacientes ficam impressionados com longos meses de espera para uma consulta, um valor alto de consulta e um consultório lotado de pessoas esperando. Tudo isso faz parecer que QUALIDADE do atendimento médico seja superior, quando nem sempre o é. Certamente, alguns blogueiros, com um post bem redigido, venderiam mais produtos do que mil cliques em um banner.

3. Nosso grupo reúne 3 perfis distintos, apesar de todos sermos empresários. O Fabio não usa Adsense. O Alexandre só tem um banner dos anúncios do Google no rodapé do Pensar Enlouquece. A Cris tem anúncios por todo lado, tanto do Google quanto de outros programas e alguns patrocinadores internacionais. Como fazemos dinheiro com nossos blogs? De que maneira? Direta ou indiretamente? Qual o marketing que cada um está usando e focado em qual objetivo?

Resposta de

Fábio Seixas: Na verdade eu até uso adsense. Mas é tão discreto que eu mesmo nem vejo. As vezes eu tiro, as vezes eu coloco. Pra mim o retorno do blog é indireto. Vem em forma de novos contatos, network, criação de reputação. Meu marketing é criar conteúdo interessante.

Resposta de Alexandre Inagaki: Creio que respondi parcialmente à sua pergunta em minha primeira resposta. Mas, como complemento, posso falar da minha experiência como criador, ao lado do Edney Souza, do Interney Blogs. Digamos que eu seja o gerente de conteúdo, enquanto o Edney é o gerente de tecnologia do IB. Na primeira fase do portal, reunimos 21 blogs, selecionados pela qualidade de conteúdo, congregando blogs conhecidos, como Uma Dama Não Comenta, Marmota Mais dos Mesmos e Ao Mirante Nelson, e outros produzidos por jornalistas como Chico Fireman, Ricardo Schott e Alexandre Carvalho dos Santos. Todos os blogs publicam posts que são divididos por categorias, produzindo as seções do Interney Blogs que possuem anúncios do Google Adsense, Mercado Livre e Buscapé. Os rendimentos obtidos são divididos entre todos os blogueiros, em valores proporcionais à audiência de cada um. Na segunda fase, que entra no ar em setembro, teremos mais blogs (deveremos chegar a mais de 50). Investiremos a fundo no “long tail”, hospedando blogs dedicados a nichos de mercado como gadgets, animais de estimação, games, carros, crafts. Também teremos um novo layout, e investiremos mais a fundo na prospecção de anunciantes diretos, tanto para o nosso portal quanto para os nossos blogs especializados.Comentário de

Rafael Reinehr: O Internety Blogs, apesar de formar tardiamente um condomínio de blogueiros, iniciativa já antiga no Blogverso, foi o precursor de maior repercussão no Blogverso brasileiro no que diz respeito à monetização voltada para seus condôminos. Apesar de os ganhos auferidos não representarem somas que permitam a todos abandonar seus empregos para se tornarem blogueiros em tempo integral, o antigo sonho de blogar e ser remunerado já é uma realidade por lá e em vários outros sites e blogs. A percepção de que não é somente dos anúncios mas também através da reputação criada, conteúdo apresentado, contatos profissionais gerados, artigos sob demanda, utilização do novíssimo Skype Prime e tantas outras fontes possíveis de renda unidos que se poderá gerar renda significativa através de um blog. Quanto mais e melhor o blogueiro se utilizar destas diferentes mas complementares formas de gerar renda, maiores são as chances dele atingir suas metas financeiras.

4. Seu blog pratica ação de atitude? O que você acha de anúncios de rede ainda inéditos no Brasil enquanto campanha, mas já praticados pelo Virtual Entrepreneur e, talvez, uma carta que nas mangas no Ney?

Resposta de

Fábio Seixas: Juro que não compreendi essa pergunta.

Resposta de Alexandre Inagaki: “Ação de atitude”? Isso me parece ser uma expressão redundante. 🙂 Confesso que não entendi o que você quer dizer com a pergunta, Cris. Sobre anúncios de rede, creio que falta ainda um site no Brasil, similar ao Blogads, capaz de se tornar o departamento de marketing imprescindível para blogueiros sem tempo ou contatos junto a anunciantes potenciais. Por enquanto, o que há são tentativas que considero serem ainda tímidas, como o Afilio.Comentário de

Rafael Reinehr: Com ação de atitude, a Cris quis se referir a ações voltadas ao estímulo da produção cultural, atividades com foco em responsabilidade social, desenvolvimento sustentável, solidariedade. Existem neste momento em desenvolvimento projetos voltados para este sentido, verdadeiros portais culturais, sendo mais do que portais de blogs, como O Pensador Selvagem, por exemplo. A possível vantagem de tal abordagem seria a possibilidade de incluir tais portais em projetos de Lei de Incentivo à Cultura, desde que a proposta definitivamente se volte ao estímulo dos quesitos apresentados anteriormente.

5. Você tem coragem de cobrar caro?

Resposta de

Fábio Seixas: Caro é relativo. Penso no valor justo. Mas mesmo o justo pode ser muito caro. Depende do que você tem a oferecer.

Resposta de Alexandre Inagaki: Tenho o bom senso de cobrar um preço justo, tendo em vista os números de acesso do meu blog e a repercussão alcançada por meus posts junto aos leitores do Pensar Enlouquece. Obviamente não tenho como cobrar os valores que um Kibe Loco, com seus 200 mil visitantes diários, pode cobrar. Mas tenho consciência de que possuo um certo alcance como formador de opiniões. É preciso sempre levar em consideração esses dois fatores na hora de estipular preços, a fim de não perder anunciantes, até porque o mercado publicitário ainda está começando a despertar para a capacidade que blogs possuem de reverberarem idéias e opiniões, e precisa ser “educado” a fim de compreender as peculiaridades e idiossincrasias da blogosfera.Comentário de

Rafael Reinehr: Todos buscam um preço “justo”. Mas qual é a fórmula para encontrar este número mágico? Como disse o Fábio, o justo (pelo que se tem a oferecer) pode se tornar muito caro. Depois de dez anos de estudo, especialização e aperfeiçoamento fora do Brasil, pode-se querer cobrar um valor Z pelo produto ou serviço que temos a oferecer. Acontece que são poucos aqueles que tem capacidade de pagar Z. Se sua meta for realmente ganhar Z, é preciso um esforço significativo para convencer o anunciante de que você vale Z. Do contrário, pense em reduzir o valor para W ou Y. Isso lhe garantirá mais anunciantes, sem dúvida. Nunca podemos esquecer que, a cada vez que reduzimos o preço de algo que oferecemos, estamos reduzindo também seu valor. Quando oferecemos um serviço ou um blog e aceitamos reduzir o preço deste serviço ou do anúncio no blog estamos também, necessariamente reduzindo aquilo que valemos. Por isso, o melhor é agregar valor àquilo que estamos oferecendo para podermos cobrar o preço que achamos merecer.

6. Existe sim e muita vida antes, durante e depois de Adsense. Qual sua melhor sugestão?

Resposta de

Fábio Seixas: Patrocinio e resenhas pagas.

Resposta de Alexandre Inagaki: Se um blogueiro deseja atrair anunciantes interessados em adquirir banners ou encomendar resenhas pagas, necessitacriar o quanto antes seu “mídia kit”, um documento que mostre ao mercado qual o perfil de seus leitores (idade, renda mensal, localização geográfica, formação escolar) e quais são os formatos publicitários disponíveis em seu blog. Para tanto, é fundamental que ele faça um questionário junto a seus leitores, para angariar esses dados. E também necessitará instalar o Google Analytics ou outra ferramenta confiável de mensuração de estatísticas, a fim de poder mostrar qual é a audiência de seu blog. A partir daí será possível correr atrás de possíveis anunciantes, focando em especial aqueles que já anunciam na Internet e têm familiariedade com a publicidade online.Comentário de

Rafael Reinehr: Além das sugestões do Fábio e do Alexandre, gostaria de citar a criação de novas e fortes comunidades de blogueiros, o aproveitamento de nichos ainda pouco explorados (pesquise, eles existem!), a formação de equipes coesas de reforço mútuo e a oferta ativa de espaços publicitários tanto através da Internet como através de visitas pessoais a empresas locais, da região em que cada um vive. A manutenção de um site ou portal de uma cidade já é um meio muito utilizado para gerar renda por algumas pessoas, mas isso foge um pouco do foco de debate.

Perguntas de Fábio Seixas

1) Seriam os blogs o pote de ouro no final do arco-íris? É percepção comum de que muitos pensam que podem ganhar muito dinheiro com blogs, mas descobrem que não existe pote de ouro e que na verdade existem moedas espalhadas pelo caminho e ganha dinheiro quem melhor sabe procurá-las?

Resposta de Cris Zimermann: Num primeiro momento, os blogs parecem ser sim, o jackpot. A sensação de que se pode ser aceito pela comunidade, que teus @migos irão te ajudar etc incentiva, além é claro, da falta de opção para geração de renda fora da web que mencionei em minhas perguntas anteriores. As moedinhas estão sim espalhadas pelo caminho, mas não acredito que seja apenas uma questão de saber procurá-las. A questão é mais complexa, envolve muito trabalho, dedicação, constância etc. Esses fatores aliados ao fator ‘sorte’ podem fazer toda a diferença.

Resposta de Alexandre Inagaki: Antes de mais nada, creio que o blogueiro iniciante que imaginar que encontrará um pote de ouro em meio ao oceano da Internet já começaria suas atividades com o pé esquerdo. Ganhar dinheiro é conseqüência, não deve ser encarado como o objetivo final de um blog. Um blogueiro precisa se preocupar em, primeiro, produzir conteúdo inédito, interessante e relevante. Se for publicar posts só para caçar pára-quedistas, nunca terá visitantes fiéis, PageRank relevante, links em blogs mais conhecidos e visitados. Amelhará uma e outra moeda, insuficiente para motivá-lo a permanecer blogando, e depois abandonará atividades desiludido da silva.Comentário de

Rafael Reinehr: Caminhar sempre em direção a uma meta estabelecida e admirar o arco-íris durante o caminho são os segredos para chegar ao pote de ouro. O pote de ouro nesse caso, não é necessariamente a tão desejada independência financeira mas algo mais: a percepção de que se está vivendo de acordo com a essência de cada um, o mais próximo que se pode chegar da felicidade. O que quero, afinal, dizer com isso: faça seu blog com prazer, com tesão, com paixão. Se as moedas que procuras não estiverem no caminho que você escolheu, pelo menos a frustração não terá lugar na sua vida. Seja exigente com suas metas, mas saiba analisar a realidade que te rodeia. Isso é um processo. Aprenda com quem já está na estrada há mais tempo. Utilize os exemplos de sucesso mas não se restrinja a eles. Tente criar novos caminhos, explore-os e divulgue-os. As possibilidades são quase infinitas.

2) Para mim, blogs monetizados são empresas. E como em qualquer empresa, as chances e sucesso são contras. Dizem que um empresário “quebra” entre 4 a 6 empresas antes de conseguir construir uma empresa de sucesso. Isso vale para blogs? Ou a blogosfera é menor cruel e é permissiva com blogs mal-sucedidos, monetariamente falando?

Resposta de Cris Zimermann: Ainda não vejo os blogs como empresas aqui no Brasil. Todos os blogs brasileiros que tenho são monetizados e são blogs de nichos distintos, mas representam apenas uma extensão de meus negócios particulares. Os blogs do Brasil ainda não investem em marketing como deveriam, ou seja, praticam apenas a receita sem deduzir as despesas.

Resposta de Alexandre Inagaki: Um lado positivo de blogs é o fato de que o capital inicial necessário para sua criação é ínfimo. Possibilita experimentações com diversas variedades de monetização sem grandes prejuízos, até que o blogueiro possa encontrar um bom nicho de mercado e um público fiel, fatores capitais para que ele possa alçar maiores vôos.Comentário de

Rafael Reinehr: As chances são contra, mas o investimento e o risco são pequenos. Isso torna possível a qualquer um experimentar as possibilidades da monetização. O que se percebe, entretanto, desde que essa onda de monetizar blogs se tornou a tônica é que os muitos blogueiros passaram a evitar linkar blogs “concorrentes” em suas postagens para evitar gerar tráfego para o site de “corporações” concorrentes. Logo, percebe-se o fechamento de alguns grupos que, com o estudo de ferramentas como SEO, Page Rank e rankings como Technorati e o próprio BlogBlogs acabam por produzir um referenciamento intrínseco – benéfico aos negócios. Seria esta uma forma de “quebrar” a iniciativa dos pequenos? Acredito que não. A despeito destes acontecimentos que rodam atrás do palco principal, precisamos mesmo é nos preocupar com nossas próprias estratégias para sobrepujar estas “chances contra” às quais o Fábio se referiu.
3) Blogs podem mudar a economia do mercado de internet nacional? Como?
Resposta de Cris Zimermann: Absolutamente. Por quê você acha que o Governo requer dados mais específicos quando se registra um domínio ‘.com.br’? Mas os blogs precisam ser melhor representados para isso, melhorando suas imagens de produtos ‘grátis’, investindo em marketing e branding, por exemplo. E tudo isso não surge do nada, do dia para a noite. Você precisa ter algo a apresentar, um produto sólido desde o começo. Até pela velocidade como as coisas acontecem na rede, os leitores não são bobos, podem até constatar as mudanças praticadas, mas vão lembrar sempre da precariedade de outrora.Resposta de Alexandre Inagaki: Penso que a Internet no Brasil ainda é muito incipiente. Apenas cerca de 20% da população brasileira acessa a rede regularmente. Além disso, as verbas publicitárias destinadas à Internet em média não passam de 10% do orçamento total de uma campanha. É óbvio que, a médio/longo prazo, essas condições mudarão, mas, por enquanto, parafraseando João Cabral, nossa parte nesse latifúndio (que nem é dos maiores) é tão ínfima que julgo ser precipitado pensar em mudanças no mercado da Internet brasileira. Elas ocorrerão paulatinamente e num ritmo crescente, mas muito pausado ainda.Comentário de Rafael Reinehr: Quando percebo que o Blogverso teve seu início ainda nesta década, e o acompanho desde 2003, em menos de 5 anos passamos por várias pequenas revoluções e evoluções na forma de pensar a internet. Da mesma forma com que tudo isso aconteceu em velocidade estratosférica, também acredito que em mais 5 anos o perfil do que consideramos o Blogverso estará totalmente transformado. Não pretendo profetizar, mas a olhos vistos as mudanças estão acontecendo num ritmo louco e não falta muito para os Blogs passarem a ser utilizados de forma mais intensa como forma de propaganda. O próprio programa “Computador Para Todos” está ajudando a mudar a realidade da população brasileira. Experiências como WiMax, o desenvolvimento de redes de banda realmente larga farão baratear o acesso básico à internet, aumentando assim o público consumidor de produtos através da internet em detrimento ao rádio, jornal e televisão. Isso tudo acontece de forma dinâmica e rápida. Seguimos acompanhando.

4) Blogs cujo objetivo é atingir o lucro são piores que blogs lucrativos mas cujo objetivo é o prazer de deliberar opiniões?

Resposta de Cris Zimermann: Se o objetivo de um blog for verdadeiramente o lucro, desde seu lançamento, ele vai cuidar para não ‘deliberar’ opiniões pessoais, vai falar pouco sobre si e mais de seu produto, mesmo que use de toda linguagem velada e tendenciosa como bem o faz a grande e velha mídia. Já os blogs que sentem prazer em deliberar opiniões, estes me cansam mais do que os de objetivo focado. É uma questão de gosto, como ter um inimigo declarado ou um que te ataca pelas costas. Mas o grande barato dos blogs é o fato de se juntarem em comunidades. Se você só usa roupa de marca, dificilmente vou encontrá-lo numa liquidação de 1,99.Resposta de

Alexandre Inagaki: A força e a relevância de um blog estará sempre em seu conteúdo. Se um blog é criado com a função de atingir lucro, mas se limitar a apresentar posts regurgitados de notas de outros blogs, textos de portais e press-releases, jamais conseguirá sair do lugar comum e da mediocridade. Não será levado a sério por agências de publicidade e possíveis anunciantes, e tampouco pela blogosfera.

Comentário de Rafael Reinehr: o que realmente interessa em um blog para os seres humanos é o conteúdo. Ponto final. Como estamos falando de consumidores e não de seres humanos (perceba a diferença), tanto faz se seu blog é feito objetivando lucro ou deliberando opiniões pessoais. Na grande maioria dos casos, os blogs tem sua maioria de visitantes oriundos de ferramentas de busca, sendo que a principal fonte de visitantes no Brasil é o Google. Quem vai gerar a renda que o Google lhe paga é o próprio Google. É uma espécie de moto perpetuo virtual. Se o seu objetivo é ganhar uns trocados com o AdSense, tanto faz como tanto fez se você é um glutão roubador de textos ou um original e criativo blogueiro. Os cliques vão surgir da mesma forma, tanto nos banners do AdSense como do Mercado Livre ou do Buscapé. Você estará lidando com CONSUMIDORES. É claro que você pode otimizar seus ganhos produzindo uma resenha sobre um novo produto e colocar anúncios afins perto da referida resenha. Agora, se o seu objetivo é lidar com SERES HUMANOS, é bom você começar a produzir conteúdo original, como o Milton Ribeiro, que tem mais de 70% das visitas diárias vindas de outros blogs ou de visitantes recorrentes. Há quem prefira o segundo tipo de blog, mais pessoal e humano. Quando vai comprar um produto, costuma ir direto ao site do fabricante para verificar as especificações do mesmo e comparar com as especificações de outros produtos que já estão na lista de coisas a adquirir. Dificilmente cede a um anúncio e faz uma compra por impulso. Não é aquele consumidor que dá lucro às empresas anunciantes na internet na forma de banners e adsenses. Esse é o leitor que o Blod pode cooptar. É o leitor HUMANO, que busca a opinião de alguém em quem confia. É para este leitor que Inagakis, Cris’es e Fábios devem falar (e falam). Se o seu blog é assim ou assado, não importa: faça uma auto-avaliação freqüente depois de tudo que você continuamente está a aprender e, se julgar necessário, não tenha medo em mudar de rumo. A recompensa maior será sua felicidade.

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28 comments so far

  1. Rafael via Rec6 on

    Alternativas de monetizao dos blogs – Vida inteligente ps-Adsense

    “5 rodada do “Blogosfera Brasileira em Debate” com participao dos blogueiros Alexandre Inagaki, Cris Zimerman, Fbio Seixas e Rafael Reinehr, publicado no blog Pelejando.”

  2. Sergio Blog 2.3 on

    Blogues so conversaes… ahn?

    Pra quem queria entender o esprito desta palavra de ordem 😉

    Leia…

    Papel dos Blogues como Mdia (Media) [1]

    A responsabilidade dos blogues que ensinam e formam blogueiros;
    Alternativa a monetizao dos Blogues.

    Para seguir t…

  3. Marcelo on

    Excelentes contribuições. Valeu!

    Marcelo

  4. Wendell Raphael on

    Muito bom! Vale a pena ler e reler. 😉

  5. igor on

    eu quero a imagem

  6. […] Alternativas de monetização dos blogs – Vida inteligente pós-Adsense […]

  7. Sigam-me os bons! | Boombust on

    […] Alternativas de Monetização dos Blogs – Vida Inteligente Pós-AdSense […]

  8. Leonardo Rocha Pena on

    Parabéns a todos pela mesa redonda. Foi de grande valia para todos nós. Um abraço a todos.

  9. […] Brasileira em Debate. Vale a pena conferir o que já saiu por aí: O papel dos blogs como mídia, Profissionalização da blogosfera e Responsabilidade dos blogs que ensinam outros blogs. Fique atento que essa semana ainda serão […]

  10. […] Alternativas de Monetização dos Blogs – Vida Inteligente Pós-AdSense Sem comentários ainda | Diga algo ou Pingue! […]

  11. Leonardo Melo on

    sou novo nessaonda dos blogs, to ainda me familiarizando com as coisas, com as peculiaridades, com tudo enfim. Sempre percebi e continuo achando que pro povo “de fora’ digamos assim um site mais ou menos acaba tendo mais credibilidade do que um bom blog. É estranho isso, tem coisas maravilhosas na blogosfera. Talvez o início, onde rolava muito adolescente falando abobrinha e muitos dos blogs eram o que hoje são os floções da vida. Sei lá…
    Belo post, vou ler melhor e com mais calma depois, e boa escolha da lay out.
    abraços

  12. […] medição e o que devem levar em conta;A responsabilidade dos blogs que ensinam e formam blogueiros;Alternativas de monetização dos blogs – Vida inteligente pós-AdSense,Blogs Corporativos – um desafio para as empresas e para a própria blogosfera. Em todos eles, de […]

  13. Leia antes de votar on

    […] sobreviver um país como o nosso, ele precisa selecionar esse público.(1) Isso sim, seria vida inteligente pós-adsense, […]

  14. Pensar Enlouquece, Pense Nisso. on

    Cinco anos no ar

    Quando criei este blog, h cinco anos, eu realmente no esperava que ele fosse durar tanto tempo. Principalmente por se tratar de Internet, interface na qual tudo parece soar e voltil. Quem baixou msicas por meio de softwares como Napster e Audiogala…

  15. […] em conta“, “A responsabilidade dos blogs que ensinam e formam blogueiros“, “Alternativas de monetização dos blogs – Vida inteligente pós-Adsense“, “Blogs Corporativos – Um desafio para as empresas e para a blogosfera“, […]

  16. Miguel Cavalcanti on

    Boa tarde. Gostaria de ter formas de comparar o resultado de blogs. Alguém tem algum indicador de desempenho, como R$ por CPM, ou algo parecido? Os pouquíssimos números que tenho visto são muito inferiores aos preços praticados pelos portais, como o citado no artigo (UOL).

    Abraços, Miguel

  17. Techbits on

    Blogosfera em debate

    Esse fim de semana acontece em São Paulo o BlogCamp, desconferência de blogs brasileiros. Para aquecer os motores o Wagner Fontoura do Boombust promoveu uma série de debates virtuais na semana passada. Fui convidado, disse que ia participar, mas aca…

  18. […] mais redonda e interessante (pelo menos para mim, que não manjo nada ainda de monetização) – Alternativas de monetização dos blogs – Vida inteligente pós-Adsense. Não da para perder, cocisa de alto […]

  19. Dado Ellis on

    Muito bom o debate. Parabéns!

    Abraços

  20. […] 5. Alternativas de monetização dos blogs – Vida inteligente pós-AdSense > Data para publicação: 3ª Feira, 21 de agosto de 2007 […]

  21. A Nova Via dos Blogs na Midia on

    […] Alternativas de Monetização dos Blogs – Vida Inteligente Pós-AdSense […]

  22. Idetrorce on

    very interesting, but I don’t agree with you
    Idetrorce

  23. Sigam-me os bons! | Boombust on

    […] aqui coisas da mais alta relevância para a blogosfera, como o papel dos blogs como mídia, profissionalização da blogosfera, a responsabilidade dos blogs que ensinam outros blogs, uma coisinha básica e elementar mas da […]

  24. Glauber on

    post muito bom. li e reli varias vezes para não deixar escapar nada. gostaria de saber de vocês algumas maneiras de se tornar conhecido, sou novo nesse mundo, mas percebi o uqanto fascinante ele é. se puderem mandar algumas dicas eu agradeço.
    formar algum tipo de parceria. não sei, pois como eu disse sou novo nesse mundo.
    valeu e um grande abraço.

    http://www.gl-info.blogspot.com

  25. blog tecnologia on

    excelente post, voltarei muitas outras vezes neste blog. ja salvei nos meus favoritos.

  26. rocks-hd on

    parabens… acredito que depois disso o adsense que me espere!

  27. Jonatan on

    Pois é esses portais enquanto ganha mais de 200 por cpm, eu não ganho nem 7 cpm hehe.

  28. Blog Charles Araujo on

    Vejo como algo seriamente preocupante é a utilização de blogs por lideranças políticas como prefeitos, caracterizando o site como blogueiro da categoria notícias e ao invés de transmitir informações baseadas na realidade local, ficam postando conteúdos de propaganda política, que prejudica uma população, especialmente em municípios pequenos, onde a informação ainda anda gatinhando.

    Acho que a Justiça Eleitoral tambem devia cumprir seu dever fiscalizando e punindo esses crimes.


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